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Pequeno empresário carece de gestão financeira nos negócios
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Pequeno empresário carece de gestão financeira nos negócios
Cultura brasileira favorece empreendedores inovadores e rápidos, mas há falta de organização, planejamento anual e plano de contas para evitar os imprevistos
por Ernani Fagundes (DCI)
17/07/2015

As pequenas empresas brasileiras estão cada vez mais flexíveis e rápidas em seus negócios e atentas às novas ferramentas tecnológicas e de governança corporativa, mas a falta de gestão financeira ainda dificulta a percepção do retorno.

"Devido à nossa cultura, o pequeno empresário brasileiro é muito bom vendedor e sabe bem como administrar seus recursos humanos. Mas ainda é muito comum - em negócios que estão indo bem e crescendo - a falta de capacidade em avaliar o retorno financeiro obtido, ele desconhece seu lucro", diz o sócio fundador da consultoria Equilibrados, Fernando Poloni.

Entre os problemas encontrados nas pequenas empresas, Poloni relatou descuidos básicos com a organização. "Antes de qualquer projeto, o empresário já deveria ter um orçamento muito bem feito, nem sempre isso ocorre, ainda se confia muito no feeling [sentimento], exemplificou.

Nas finanças, os erros mais comuns ainda são: a confusão dos recursos financeiros da pessoa física com a da pessoa jurídica; e a ausência de controle do fluxo de caixa. "Em geral, o pequeno não trabalha com um colchão de reservas para imprevistos, como resultado acaba recorrendo a crédito caro nos bancos", alerta Poloni.

Segundo o executivo, nesses casos de emergências financeiras, o empreendedor é obrigado a recorrer a linhas de crédito com juros mais altos, às vezes, destinadas às pessoas físicas.

"Em geral, o pequeno desconhece as linhas acessíveis a pessoas jurídicas, ou mesmo, linhas específicas e subsidiadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para seu negócio. Ele é atendido por bancos comerciais onde já possui algum relacionamento, e quase sempre está nas mãos do gerente".

Entre os conselhos para atravessar os imprevistos, Poloni orienta a execução de um planejamento financeiro anual. "Com base nas informações passadas, ele deve relatar as estimativas de preços, os contratos com fornecedores, a necessidade de corte de despesas, prever sua inflação no aumento de preços de fornecedores, e o do dissídio do salário dos funcionários e verificar o reajuste do aluguel [IGP-M]", orientou. "Quanto mais informações, melhor a capacidade de se preparar para um momento de crise", completou o sócio.

Outra dificuldade encontrada nos pequenos negócios é a ausência de controle do fluxo de caixa. "Somos procurados para ajudar a identificar o retorno da empresa. Muitas vezes, o caixa foi totalmente reinvestido no próprio negócio, vai para o estoque ou novos projetos, sem retirar o lucro, ou pior, sem controle do caixa aparecem as surpresas e o empresário sente a falta de capital de giro", enumera Poloni.

"A empresa tem que ter vida própria, não dá para tirar dinheiro do caixa a torto e a direito", orienta Alex Antunes, também sócio fundador da Equilibrados.

Ao se elaborar um plano de contas e estudar o fluxo de caixa segmento por produtos, o consultor diz que o empreendedor poderá perceber se houve aumento de custos e mesmo alta nas despesas com logística. "O ideal é montar um banco de dados com os contatos de quem compra, e utilizar essas informações para manter as pessoas por perto", recomenda Alex Antunes.

"A formação de preços ainda é feita com base apenas na concorrência, mas se pode buscar oportunidades de redução de custos, fazer mais com menos. O empreendedor mais organizado consegue negociar com fornecedores, obter ganhos de eficiência e até repassar esses ganhos aos seus clientes para conquistar mercado em relação aos concorrentes", complementa Fernando Poloni.

O executivo contou que em economias desenvolvidas, a cultura da organização financeira é mais bem utilizada devido a forte competição. "Nosso diferencial está na flexibilidade e criatividade do pequeno empreendedor em superar suas dificuldades", comparou o consultor.

"Na maioria dos casos, o empreendedor já conhece seus problemas e sabe que precisa fazer a gestão financeira, mas ele não tem tempo, fica envolvido nas atividades do dia a dia da empresa. Isso é natural, ele faz o que faz melhor, tocar sua atividade principal. Quando for assim, a empresa deverá avaliar a necessidade e o custo de ter um outro profissional para fazer a gestão financeira, ou uma consultoria", sugere Fernando Poloni.

Ferramentas tecnológicas

Apesar das dificuldades do dia a dia, o consultor avalia que os empreendedores brasileiros já estão mais atentos às novidades tecnológicas em gestão financeira e empresarial. "Evidente que profissionais liberais como médicos ou dentistas recorrem às planilhas do Excel, a estrutura de um profissional liberal é muito enxuta, só precisa de organização", pondera.

Ele constata que as pequenas empresas já utilizam softwares de gestão empresarial, mas por falta de conhecimento ou de preparo técnico, os recursos disponíveis nessas ferramentas tecnológicas ainda não são utilizadas em totalidade. "Se instala a sistema de gestão completo, mas se utiliza o módulo de vendas ou de logística, deixando o módulo financeiro sem uso".

Outro avanço percebido nas pequenas e médias empresas é a adoção de práticas de governança corporativa, antes um conceito restrito às grandes empresas e as companhias abertas com registro na Bolsa de Valores. "A governança corporativa evoluiu muito no Brasil nos últimos 20 anos, principalmente depois do Novo Mercado [criado em 2002], essa cultura começa a alcançar as empresas menores, fechadas e familiares", disse o diretor da Diligent no Brasil, André Bodowski.

Entre as novidades trazidas pela americana Diligent ao Brasil está o aplicativo Diligent Boardbooks voltado ao público empresarial. "É um aplicativo que fornece aos diretores, conselheiros e gerentes o controle das informações estratégicas da companhia", diz o diretor.

Ele explicou que a segurança das informações estratégicas, comerciais e confidenciais é muito importante para os negócios. O vazamento de informações sempre causou prejuízos financeiros e de imagem às empresas, independente do porte.

Bodowski contou que muitas empresas continuam vulneráveis ao vazamento de informações. "Algumas empresas estão mais preocupadas com isso".

A nova ferramenta tecnológica permite que os empresários e seus demais acionistas mantenham controle completo sobre todos os dados e atualizações das reuniões do Conselho de Administração e dos Diretores, mesmo em dispositivos móveis como smartphones e tablets e promete reduzir o risco de entrega de materiais confidenciais a pessoas erradas.

Bodowski diz que o aplicativo em português mostrou resultados após ser utilizado nos países desenvolvidos da Europa, da América do Norte e da Ásia (Japão, Cingapura e Hong Kong, na China). "As práticas internacionais de governança corporativa no Brasil são muito similares às utilizadas nas grandes economias, o que muda é a cultura", diferenciou o diretor.

Sobre os ganhos de eficiência com o uso do aplicativo tecnológico de governança corporativa, Bodowski contou que é possível diminuir o tempo de preparação das reuniões de diretores e conselheiros de administração, de semanas para dias ou horas. "Um processo que leva dias pode ser resolvido em minutos", exemplificou.

Bodowski contou que a Diligent atende mais de 2,5 mil clientes (empresas) e alcança 82 mil diretores, executivos e administradores (usuários) em 45 países. Segundo explicou, sua companhia ajuda a acelerar e simplificar a produção, revisão, entrega e votação de materiais aos Conselhos de Administração. "A ferramenta reduz a quantidade de papel e controla quem pode acessar os dados."

 
 
 
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