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O que o salto no consumo de champanhe revela sobre a economia mundial
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O que o salto no consumo de champanhe revela sobre a economia mundial
Maior consumo de champanhe reflete economia mais otimista, dizem especialistas
por Padraig Belton (BBC)
17/06/2016

A exportação de champanhe em todo o mundo movimentou recordes 4,75 bilhões de euros (R$ 19 bilhões) no ano passado. As vendas devem continuar crescendo em 2016, e os produtores estão confiantes de que poderão aumentar o valor por garrafa.

Para muitos economistas, trata-se de um sinal claro de bonança: as vendas de champanhe são tidas como um barômetro da confiança do consumidor em todo o planeta.

Esse avanço significa que há mais gente comprando artigos de luxo, o que na prática aponta também um maior número de pessoas com folga no orçamento para investir em imóveis, por exemplo.

O melhor ano para os produtores de champanhe até agora havia sido 2007, às vésperas da crise financeira mundial, quando as vendas atingiram 4,56 bilhões de euros.

Desde então, os negócios do setor despencaram: não eram muitos os indivíduos dispostos a estourar uma garrafa de espumante quando a economia global afundava.

Índice do espumante


Segundo Constantin Gurdgiev, professor de finanças no Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, na Califórnia, os resultados do champagne no último ano acompanham de perto o otimismo geral da economia.

"Depois de oito anos de ajustes pós-crise, parece que a demanda por artigos e produtos de luxo está finalmente voltando para o seu 'normal' de antes da crise", afirma o professor.

Para ele, a próxima etapa da recuperação será a inflação dos preços, que se somará ao crescimento estável do volume de vendas, "conforme mais e mais consumidores de classe média-alta voltarem a participar do mercado de luxo".

Vincent Perrin, diretor da Comité Champagne, a associação que representa os interesses dos produtores independentes franceses, diz acreditar que existe uma relação estreita entre o PIB per capita e a venda do produto.

"Neste momento, com uma recuperação econômica forte na Itália e na Espanha, e com bom resultados nas economias do norte da Europa, estamos observando um bom nível de crescimento do champanhe nesses mercados", afirma.

Compradores asiáticos também estão ajudando a alavancar as vendas. Entre os países cada vez mais ávidos pelo espumante estão Taiwan (onde as vendas de champanhe aumentaram 29% em 2015, após um ano fraco em 2014) e a Coreia do Sul (aumento de 31% nas vendas).

O euro fraco também teve seu papel em tornar as importações mais baratas, enquanto fatores locais como melhor distribuição e uma base de sommeliers mais bem preparada do que antes nesses mercados influenciaram nas vendas.
Crescimento futuro

Mas há um limite para a quantidade de champanhe que pode ser produzido por ano - o teto natural anual é de cerca de 350 milhões de garrafas. Isso significa que a perspectiva de crescimento do setor não é infinita.

Nos últimos quatro anos, o volume anual produzido pela região flutuou entre 305 milhões e 312 milhões de garrafas.

Mas as fronteiras da região da Champagne, na França, estabelecidas pela lei de denominação de origem controlada de 1927, estão prestes a serem expandidas. Outros 40 vilarejos devem passar a integrá-la entre 2018 e 2020.

Sara Guiducci, da distribuidora de vinhos Corney and Barrow, afirma que isso vai aumentar a capacidade de produção de champanhe, assim como o valor das terras dos vinhedos.

Oficialmente, apenas os espumantes produzidos nessa região podem ser chamados de champagne.
Do outro lado do balcão

Donos de bares em toda a Europa estão confiantes de que o champanhe vai continuar fazendo sucesso com seus clientes neste próximo ano.

Segundo Joel Claustre, diretor de champanhe da Searcys, uma das mais bem-sucedidas redes de "champagne-bars" de Londres, o consumo médio por pessoa tem subido. "O champanhe segue de perto o estado da economia", diz.

David Wiedemann, dono do Reingold, um bar de coquetéis em Berlim, afirma que seus clientes se tornaram mais exigentes após a crise econômica mundial.

"Eles pesquisam em fóruns e blogs antes de vir para o bar e gostam de pedir coisas fora do comum, que eles não podem encontrar em outros bares", conta. "Com isso, tenho servido menos prosecco e mais drinks clássicos à base de champanhe."

"Acredito que as pessoas, de maneira geral, estão tomando mais champanhe do que antes", afirma Claustre. "E isso é exatamente o que queremos. Acho que esse deve ser um produto que todo o mundo possa beber."

 
 
 
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