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Quando vale a pena copiar o concorrente?
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Quando vale a pena copiar o concorrente?
Antes de copiar o concorrente ou se inspirar no sucesso de um produto, serviço ou modelo de negócio num contexto específico, você deve considerar o caso a caso de cada negócio e suas competências como empreendedor.
por Sebrae MS
19/12/2016

Quando o Instagram lançou recentemente o recurso Instagram Stories – que reúne posts de um momento especial e os deixa disponíveis por apenas 24 horas –, passou uma mensagem clara: às vezes vale mais copiar o concorrente, admitindo o movimento, do que ver seus usuários ou clientes migrar para a concorrência. O Instagram Stories é muito semelhante ao recurso Minhas Histórias, do Snapchat, cujo principal apelo é a efemeridade das mensagens trocadas.

E no mundo dos pequenos negócios, essa mensagem também se aplica? A resposta é controversa tanto entre os empreendedores quanto entre os especialistas. Alguns afirmam que não é tão ruim estar entre os que seguem as tendências. Muitas vezes seria até mesmo essencial, considerando que estar atualizado no mercado pode ser a própria condição de sobrevivência. Esta prática comum é conhecida com benchmarking.

Para Fran Silva, 33 anos, proprietária da Clínica Estética Life CG em Campo Grande, no mercado há 11 anos, o empreendedor deve sim observar os movimentos dos concorrentes, mas copiá-los jamais. “Acredito que, pela diversidade das ideias que podemos gerar, sempre é possível oferecer algo diferente da concorrência. Não há necessidade de copiar alguém”, comenta.

Já Maria da Silva Menezes, 57 anos, sócia-proprietária do café e bar A Casa do Luís, que oferece opções veganas, inaugurado neste ano em Campo Grande, não vê problemas em copiar ideias, produtos ou serviços bem-sucedidos no mercado. Com 30 anos de experiência no ramo gastronômico, ela enfatiza que é preciso, no entanto, dar a eles uma identidade própria e exclusividade no momento de atender o cliente.

“Produtos, ambientes e até mesmo serviços dificilmente são fruto de ideias inéditas. Geralmente são ideias observadas em outro contexto e reorganizadas de uma forma diferente, adaptadas para a realidade de cada negócio e cada público. Portanto, no nosso negócio buscamos conhecer o produto do concorrente, então o reelaboramos e readaptamos”, explica a comerciante.

Caso a caso

Devido ao sucesso de marcas que criam produtos inéditos, encontram nichos de mercado até então inexplorados e modelos de negócios revolucionários, os conceitos de inovação e originalidade soam como mantras a serem perseguidos a todo custo. Embora não garantam a longevidade de uma empresa por si só, a inovação e o pioneirismo em um produto ou serviço certamente renderá muitos frutos.

Mas para os pequenos negócios, a realidade é um pouco diferente. Para a analista do Sebrae Andrea Maria de Araújo, o empresário deve saber que nenhuma ideia de negócio deve ser copiada e reproduzida integralmente, só porque deu certo com outra pessoa. “Negócios bem-sucedidos são construídos caso a caso, considerando inúmeras variáveis e dependendo da competência de cada empreendedor”, afirma.

“Muitas vezes o empreendedor avalia que, se replicar um negócio muito bem-sucedido em outro local e em diferentes condições de mercado, terá o mesmo sucesso, como se houvesse uma fórmula padrão para o ramo dos negócios”, comenta a analista. “Nosso trabalho no Sebrae é fazê-lo entender que copiar não é viável, porque um negócio depende principalmente das competências próprias e das condições para atender a uma necessidade instalada”, complementa.

Copiar o concorrente não, inspirar-se sim

Se vale a pena ou não copiar o concorrente, a questão permanecerá controversa. No entanto, o que você deve se questionar é o quanto está sendo proativo na busca de originalidade, personalização e exclusividade para surpreender o seu cliente. Uma opinião corrente entre os especialistas é que monitorar os concorrentes é essencial para o comércio, pois a observação criteriosa oferece a chance de fazer melhor, mais do que fazer igual.

“Ao invés de copiar ideias como uma fórmula pronta, o ideal é que o empresário se inspire na concorrência para encontrar seu próprio jeito de surpreender o cliente”, afirma Andreia, prosseguindo: “Quando o volume de vendas é menor, o comerciante tem mais tempo para encantar o cliente no cuidado, na gentileza e no agrado ao ser humano, que gosta e tem necessidade de ser bem tratado. Pequenas gentilezas geralmente custam muito pouco e fidelizam o cliente”.

Portanto, ao invés de copiar o concorrente, inspire-se em ideias que surpreendem o ser humano por traz do cliente, considerando sempre as variáveis de cada caso e as suas competências para o modelo de negócio escolhido. E se, depois de considerar todas essas questões e estudar muito sobre a demanda, procure ressignificar o produto ou serviço, dando-lhe personalidade própria.

Ao mesmo tempo, não deixe de prestar atenção na atitude de empresas que têm se destacado atualmente. Procure acompanhar os seus concorrentes diretos, seja nas novas tecnologias adotadas ou em como lidam com os momentos de crise. Com a observação é possível ainda fazer projeções ou detectar lacunas no mercado.

 
 
 
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